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“Sacanagem”: conta de luz dispara e morador descobre que pagava a iluminação de ponto turístico em SC

Prefeitura foi procurada, não fez nada e foi condenada a pagar mais de R$ 10 mil.

“Sacanagem”: conta de luz dispara e morador descobre que pagava a iluminação de ponto turístico em SC
Foto: Reprodução

Um morador de Lages, na Serra catarinense, desconfiou que algo estava errado quando suas contas de luz dispararam sem explicação. Ao investigar por conta própria, descobriu o motivo: a iluminação de uma cruz e de uma capela do Morro da Cruz, um dos principais pontos turísticos da cidade, estava ligada diretamente à rede elétrica de sua chácara. Quem pagava a conta era ele.

A Justiça deu razão ao cidadão. O juízo da Vara da Fazenda da comarca de Lages condenou o município ao pagamento de mais de R$ 10 mil em indenização por danos morais e materiais.

Contas subiram de forma repentina no início de 2024

Segundo a decisão judicial, o autor da ação é proprietário de uma chácara localizada no Morro da Cruz. No início de 2024, ele percebeu que as faturas de energia elétrica passaram a vir com valores muito acima do padrão habitual de consumo. Sem encontrar explicação dentro da própria residência, decidiu investigar.

Foi então que descobriu que a iluminação da cruz monumental e de uma capela próxima, ambas estruturas públicas do ponto turístico, estavam sendo alimentadas pela energia elétrica de sua propriedade.

Prefeitura foi procurada, mas não fez nada

O morador procurou a administração municipal para relatar o problema e solicitar providências. No entanto, segundo os autos do processo, a Prefeitura de Lages não tomou nenhuma medida para resolver a situação.

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Diante da omissão, o cidadão decidiu agir por conta própria: contratou um eletricista, que confirmou a ligação irregular e realizou o corte da energia que abastecia o monumento e a capela.

A prova de que o morador estava certo veio de forma imediata. Na mesma noite em que o eletricista cortou a ligação, parte da iluminação da cruz e da capela ficou completamente apagada, confirmando que o ponto turístico era abastecido pela rede elétrica da chácara.

Uma perícia judicial realizada posteriormente ratificou a constatação: a ligação era indevida e o monumento público realmente era alimentado pela unidade consumidora do autor.

Juiz: caso ultrapassa o mero aborrecimento

Com base no laudo pericial e nos demais documentos do processo, o magistrado responsável pelo caso entendeu que ficou comprovada a responsabilidade do município.

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Na sentença, o juiz destacou que a situação vai além de um simples transtorno: o cidadão pagou durante meses por um consumo que não era seu, precisou contratar e pagar um profissional por conta própria para resolver o problema e sequer recebeu uma resposta da administração pública quando buscou solução pela via administrativa.

Município terá que pagar mais de R$ 10 mil

A Prefeitura de Lages foi condenada ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais e R$ 1.409,72 por danos materiais, valor que corresponde às contas de luz cobradas a mais e ao custo do serviço do eletricista contratado pelo morador.

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A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

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