Em uma ação comemorada pelo prefeito Egídio e anunciada como sendo inédita na cidade, a Prefeitura de Blumenau iniciou na última semana a soltura de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia no Centro da cidade.
O método, aprovado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), promete bloquear a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya.
A iniciativa, batizada de “Wolbitos”, faz parte de um projeto nacional coordenado pelo Ministério da Saúde, por meio da Fiocruz, e inclui também a participação de governos estaduais e municipais. Os mosquitos foram desenvolvidos em uma biofábrica instalada em Joinville (SC), cidade que já utiliza a técnica desde o ano passado.
Segundo o prefeito Egídio Ferrari (PL), que gravou um vídeo institucional explicando o projeto, a expectativa é de que Blumenau se torne referência em saúde pública. “É um passo importante para sermos pioneiros no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti”, declarou.
A ação prevê a liberação dos insetos por 26 semanas em 11 bairros do município, com três dias de soltura por semana. Cada ponto de distribuição recebe uma caixa contendo 25 frascos, e cada frasco abriga cerca de 300 mosquitos adultos.
Como funciona o método?
Os mosquitos que recebem a bactéria Wolbachia em laboratório não transmitem os vírus causadores das doenças. Quando liberados na natureza, eles cruzam com mosquitos selvagens, passando a bactéria para as próximas gerações. Segundo os especialistas, com o tempo, a população de Aedes aegypti com capacidade de transmitir dengue deve diminuir.
A estratégia ainda está em fase de expansão no Brasil e deve ser monitorada nos próximos meses pelas autoridades de saúde.
A prefeitura informou que novas áreas da cidade receberão as solturas nas próximas semanas. A intenção é ampliar a cobertura gradativamente.
O vídeo gravado pelo prefeito também alerta que os moradores podem notar aumento temporário na presença de mosquitos em algumas regiões, o que é descrito como “parte do processo”.
Com a adoção dessa tecnologia, Blumenau passa a integrar o grupo minúsculo de municípios brasileiros que apostam em soluções biológicas no enfrentamento das arboviroses.

