O caso da secretária Karyn Lima Souza e Silva, de 24 anos, dada como desaparecida na Grande Florianópolis, teve uma reviravolta.
Conforme a Polícia Civil, a jovem pode ter deixado o local por vontade própria. O caso foi transferido para a 2ª Delegacia de Polícia de São José e passou a ser apurado como possível fuga, não mais como desaparecimento.
No mesmo dia em que Karyn sumiu, a escola onde ela trabalhava registrou ocorrência policial contra a própria secretária, acusando-a de desviar cerca de R$ 40 mil por meio de chave Pix pessoal.
O que sabemos até agora
- Karyn foi vista pela última vez na manhã de quarta-feira (15), ao entrar em um carro de aplicativo em frente ao local de trabalho, em São José
- Ela teria dito que iria ao dentista, mas não apareceu na clínica
- A escola registrou ocorrência no mesmo dia acusando a secretária de desviar cerca de R$ 40 mil via Pix pessoal
- À noite, a família recebeu mensagem pelo Facebook dizendo que ela estava bem e precisava “de um tempo”
- A Polícia Civil transferiu o caso da delegacia de desaparecidos para a 2ª DP de São José
- A linha atual de investigação aponta fuga, não desaparecimento
“Não se trata de um desaparecimento, provavelmente uma fuga”, informou a Polícia Civil.
A desculpa do dentista
Karyn trabalhava como secretária em uma escola na Rua Gentil Sandin, no bairro Praia Comprida, em São José. Conforme o marido informou à polícia, ela chegou ao trabalho por volta das 9h de quarta-feira (15), pediu para sair com a justificativa de uma consulta odontológica, entrou em um carro de aplicativo e desligou o celular pouco depois.
Ele foi até o consultório e descobriu que Karyn não tinha nenhuma consulta marcada e nunca havia chegado ao local. À noite, segundo o marido, a jovem enviou mensagem pelo Facebook à mãe dizendo que estava bem e precisava “de um tempo para colocar as coisas em ordem”.
A partir desse momento, a família perdeu todo o contato com ela.
O Pix que não era da escola
No mesmo dia em que Karyn deixou o trabalho, a escola compareceu à delegacia para registrar ocorrência contra a própria secretária. Conforme o registro, em vez de passar aos pais dos alunos a chave Pix oficial do colégio para o pagamento de mensalidades e taxas, Karyn estaria fornecendo a chave Pix pessoal dela.
O prejuízo informado pela instituição foi de aproximadamente R$ 40 mil. Segundo o colégio, a funcionária desapareceu e não manteve mais contato com a escola.
Em setembro, o Jornal Razão mostrou um caso de grande repercussão no estado, quando uma instituição de ensino em Santa Catarina teve quase R$ 340 mil desviados por um golpe cibernético que usava “laranjas conscientes”.
Mãe viaja 48h em busca de respostas
Kennia da Cruz Lima, mãe de Karyn, saiu de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, em um ônibus na manhã da sexta-feira (17) para chegar à Grande Florianópolis apenas no domingo (19). A jovem é natural da capital sul-mato-grossense e vivia em Palhoça desde agosto de 2025.
Desde que começou a pedir informações sobre a filha nas redes sociais, Kennia relatou ter recebido trotes e mensagens falsas.
“Não recebi notícia nenhuma, só fake news. Muitas mensagens dizendo que ela tinha sido sequestrada, que estavam com ela”, afirmou a mãe à imprensa.
Na quinta-feira (16), o Razão mostrou o apelo da família para ajudar a localizar a jovem, quando o caso ainda era tratado oficialmente como desaparecimento.
Como está a investigação
Detalhes da apuração não foram divulgados para não comprometer o andamento. A Polícia Civil segue tentando localizar Karyn, que agora responde simultaneamente como pessoa procurada pela família e como investigada por suposto desvio de dinheiro.
Até a última atualização, a jovem seguia sem contato com a família e com a escola. O caso segue em investigação pela 2ª Delegacia de Polícia de São José, que deve divulgar novas informações conforme o avanço da apuração.

